segunda-feira, 5 de novembro de 2012

RESULTADO DO ENEM - HISTÓRIA

Por Clayton Ribeiro

Como todo mundo está comentando, a prova do ENEM realmente foi cansativa, extensa, etc. Em muitas questões, o aluno teve que comparar dois textos (intertextualidade). No campo da História e das Ciências Humanas pode-se afirmar:

- a História Geral predominou, principalmente, do Período Contemporâneo. No ano passado, pelo contrário, a prova tendeu mais para a História do Brasil.

- o eixo CIDADANIA - DIREITOS está em alta.

- quanto ao tema da História da África e África-Brasil a novidade foi a ausência de questões relativas a escravidão negra no Brasil. Porém, isso não é uma tendência, ou seja, não se repetirá nos próximos anos. Isto porque a escravidão negra é de fundamental importância para o entendimento de nossa história, dos nossos problemas sociais atuais, etc.

-Pelo fato de não abordarem temas mais complexos da História dos africanos no Brasil, as questões sobre a África exigiram pouco dos alunos; como se observou nas questões 05 e 20 do Caderno Azul (1º dia).

Ao longo da semana discutiremos algumas questões da prova de História. Um abraço.

sábado, 3 de novembro de 2012

ENEM 2012: HISTÓRIA

Por Clayton Ribeiro

Bom, está muito em cima da hora para dicas do ENEM, mas o importante agora é lembrar que a prova de História aborda os conflitos decorrentes do meio de produção, a chamada "luta de classes", exemplo: patrão versus operário. São velhos chavões marxistas, mas que estão sendo bem trabalhados pelos professores que elaboram as questões do ENEM.

Sendo assim, a última - e a mais decisiva - fase da luta de classes começa com o capitalismo, ou seja, a partir do século XVI, com o início das Grandes Navegações portuguesas. Nesse sentido, a fase de ouro do capitalismo moderno teve o ponta pé com a Revolução Industrial (Inglaterra), em 1750. Neste país, o conflito entre patrões e operários chegou ao extremo. Os operários criaram sindicatos, fizeram greves, quebraram máquinas e, por isso, foram duramente reprimidos pelo Estado inglês. Entretanto, de maneira lenta mas gradual, os trabalhadores conquistaram seus direitos trabalhistas: estabelecimento de carga horária reduzida (8 horas diárias); direito a férias; direito de se organizarem; direito de greve, etc.

Boa sorte para todos, um abraço.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Cerca de 1 milhão de piauienses estão sofrendo com a seca

Por Clayton Ribeiro

Estamos atravessando uma das piores estiagens da história recente do Piauí, pelo menos nos últimos 40 anos. Porém, o impacto social dessa vez foi em menor escala do que das outras vezes. É que a diminuição da pobreza tem relação direta com a intensidade do fenômeno da estiagem. Entretanto, não se pode admitir que 1 milhão de pessoas sofram com falta de água, com a perda completa da lavoura e de outros danos previsíveis. Não se justifica tamanho abandono do povo sertanejo. A ciência da meteorologia avançou sobremaneira. Satélites circulam a Terra a todo instante. Movimentos de nuvens são percebidos quase em tempo real. Então, qual é o problema? Por que a estiagem constitui-se em fenômeno social degradante do sertanejo?


Estiagem ou seca? Imagem: cidadesnanet.com

Ora, a estiagem é coisa de Deus, ou melhor, de São Pedro, mas a seca não, esta última é coisas dos homens imprevidentes, descuidados, desorganizados. A estiagem caracteriza-se por uma falta de água prolongada, por outro lado, a seca ocorre onde falta construção de represas e adutoras, ausência de abastecimento d'água, falta de assistência técnica para preparar o sertanejo para o longo período de estiagem; enfim, falta de planejamento público tanto do governo do Estado quanto das prefeituras mequetrefes.

O nosso Estado não se preparou para a soja, nem para o algodão e nem muito para o milho. De modo semelhante, não se prepara para a estiagem prolongada e dos problemas que a acompanham. Vejam bem, existem países bem mais secos do que o Piauí. Israel, por exemplo, é um dos piores desertos do mundo. Porém, lá você não vem manchete de jornal desse tipo: "Milhares de animais morrem de sede no sertão" ou "Milhares de pessoas passam fome por causa da seca". Quanta incompetência.

domingo, 28 de outubro de 2012

Em 4 anos, 15% das piores escolas no Ideb não se recuperaram

FÁBIO TAKAHASHI
Folha.uol.com.br

Quase 400 escolas públicas que apareceram entre as piores do país em 2007 não conseguiram melhorar quatro anos depois. A maioria (283) até piorou no período.

Programas vão melhorar situação das escolas com dificuldades, diz MEC
Na pior escola de Salvador, professores faltam e alunos reclamam de tráfico
Análise: Índices ressaltam o desafio de descobrirmos por que ocorrem

A Folha analisou a situação atual das escolas que estavam entre os 10% piores no 9º ano do ensino fundamental (antiga 8ª série) naquele ano. São 2.620 colégios.
Destes, 379 (15%) não conseguiram melhorar seu desempenho em 2011.

Os dados foram tabulados com base no Ideb, índice do Ministério da Educação. Ele avalia a qualidade das escolas básicas com base em provas de português e de matemática e na proporção de alunos aprovados.

Entre esses colégios com os piores desempenhos, 11% tiveram nota ainda menor quatro anos depois. Outros 4% só mantiveram o patamar. A maioria é da rede estadual.
Bahia e Alagoas são os Estados que mais possuem escolas que não melhoraram.


PROGRAMAS ESPECÍFICOS

"A situação deveria ser objeto de intensa preocupação", afirmou o pesquisador Romualdo Portela, da Faculdade de Educação da USP, para quem deveriam ser feitas ações específicas para colégios que não conseguem melhorar.

O Ministério da Educação tem dois programas para escolas com dificuldades. Um prevê ajuda técnica e financeira. Outro oferece recursos para que a jornada seja estendida e se torne até integral.

Um estudo do MEC aponta que os colégios que estavam entre os piores, mas que passaram a ter jornada integral, chegaram às médias nacionais em português e matemática.

Segundo o secretário da Educação Básica do MEC, Cesar Callegari, a ampliação desse programa é uma das apostas para melhorar as escolas com mais dificuldades.

O número de colégios atendidos subiu de 15 mil no ano passado para 32 mil. No país há cerca de 125 mil escolas públicas de ensino fundamental.

"Se nenhum programa de ajuda do Estado está funcionando, essas escolas deveriam ser fechadas", afirmou o pesquisador Naercio Aquino Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper e professor da USP.

Alunos e professores, diz, deveriam ser transferidos.

O Consed (conselho que reúne secretários estaduais) afirma que as redes possuem dificuldades em lidar com os anos finais do fundamental, porque a prioridade era melhorar os anos iniciais.

Diz, porém, que vai manter esforços para "não descuidar de nenhuma escola".

Por outro lado, 7% dos colégios que estavam entre os piores avançaram e conseguiram até alcançar a média nacional. Minas Gerais, Ceará e Pernambuco se destacaram.

Segundo o governo de Minas, uma das causas foi a adoção de avaliação que identifica cada aluno com dificuldade.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

"Primavera Árabe": Irã e Síria - ENEM

Por Clayton Ribeiro

Parte II

Iniciada na Tunísia em 2010, a "Primavera Árabe" rapidamente se alastrou para vários países de língua árabe, incluindo a Síria e o Irã. Nesses dois Estados a situação é um pouco mais complexa, pelo fato de serem potências intermediárias na região.

Desse modo, os governos da Síria e do Irã não temem boicotes externos como forma de represália pelo uso da força contra os manifestantes; assim, o uso da violência contra a população civil tem se mostrado mais brutal e impiedosa nesses lugares. Além disso, ambos os países são parceiros econômicos importantes da Rússia, potência mundial em armas de "efeito moral" (bombas atômicas). Entretanto, diferente da Síria, o Irã tem conseguido abafar temporariamente, de modo eficaz, a "Primavera Árabe" dentro de suas fronteiras. Mesmo assim, é bom ficar atento ao que acontece com esses dois países. Vejam a situação da Síria e do Irã separadamente.


Mapa do Oriente Médio, uma das regiões mais conflituosas do mundo. Fonte: 2012umnovodespertar.blogspot.com

Síria:

Refugiados sírios - cerca de 100 mil - estão na fronteira turca, país vizinho da Síria. Porém, o problema é que há também rebeldes nessa região. Assim, escaramuças entre o exército sírio e o turco são cada vez mais frequentes, uma guerra entre ambos pode ocorrer a qualquer momento.

Por outro lado, grupos radicais islâmicos (árabes) simpáticos ao governo sírio podem atacar Israel em uma tentativa de mudar o foco e a atenção do mundo para o que acontece na Síria. Quase todos os países do Oriente Médio são hostis ao Estado de Israel, que se instalou nesse espaço geográfico a partir da anexação de territórios de Estados árabes. Com isso, a entrada deste último país em um conflito na região poderia trazer apoio ao cambaleante governo sírio de Bashar al-Assad.

Irã:

O caso do Irã parece ser mais grave. Israel demonstrou a intenção de bombardear instalações nucleares iranianas que já estão bem avançadas no processo de enriquecimento do urânio, material este que é usado na fabricação de bombas atômicas. Os dois Estados se envolveram em outros conflitos militares no passado recente. Com a bomba nuclear, o Irã seria o único país que realmente poderia fazer frente ao poderio militar israelense no Oriente Médio. Fontes jornalísticas afirmam que esse conflito está muito próximo de ocorrer, em breve, pouco depois da eleição norte-americana para presidente. Os Estados Unidos, aliados históricos de Israel, não querem uma guerra agora, isso poderia piorar sua situação econômica.


Conflitos no Irã, fonte: topicos.estadao.com.br/ahmadinejad

Um conflito contra Israel pode ser interessante para o governo iraniano de Mahmoud Ahmadinejad, pois pode desviar a atenção do movimento de contestação da juventude iraniana.


Imagem do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, fonte: topicos.estadao.com.br/ahmadinejad

Resumo: A Síria e o Irã estão atravessando um período de tensão tanto no plano internacional quanto no plano interno, esta última decorrente das manifestações da "Primavera Árabe". Esses dois Estados podem desestabilizar toda a região do Oriente Médio. A situação pode ser agravada com a participação do Estado de Israel, inimigo declarado do Irã. Enfim, a "Primavera Árabe" trouxe mais tensão para o Oriente Médio...porém, talvez o custo de tudo pode valer a pena...se a democracia não for pequena.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Brasil cai 15 posições em ranking de proficiência em inglês

Fonte: veja.abril.com.br

O Brasil perdeu 15 posições no Índice de Proficiência em Inglês, ranking organizado pela Education First (EP), empresa fundada na Suécia e especializada em intercâmbio: com a queda, o país ficou no 46º lugar entre 54 nações. Em 2011, quando estava na 31ª posição, o país era qualificado pelo levantamento como nação com "baixa proficiência" no idioma estrangeiro: agora, está na categoria "proficiência muito baixa". O Brasil aparece no ranking atrás de nações como China, Argélia, Síria, Vietnã e Irã.

Entre os 13 países latino-americanos avaliados, o Brasil só supera Guatemala, Colômbia e Panamá. O desempenho do subcontinente é, em geral, baixo. Isso seria consequência do predomínio, na maior parte dos países da região, da língua espanhola, que permite o comércio internacional e viagens.

A má qualidade do ensino público na região, contudo, aparece como principal fator para o mau desempenho. Ao contrário do verificado em outras regiões, não há diferença significativa no domínio da língua segundo a faixa etária. "Jovens egressos do ensino médio, estudantes universitários e profissionais, todos igualmente usam mal o inglês", diz o estudo.

A Argentina, que perdeu quatro posições no ranking, aparecendo em 20º lugar, ainda é o país latino-americano mais bem colocado no ranking, além de ser o único classificado como nação com "proficiência moderada". Taxas de alfabetização superiores à média da região (97% ante 89,9%) e dois anos a mais de escolaridade (15,1 ante 13,1) são apontados como responsáveis pelo desempenho argentino.

A Europa apresenta bons resultados no ranking. Os onze países com as melhores taxas de proficiência estão localizados no continente. Os cinco primeiros colocados são, respectivamente Suécia, Dinamarca, Holanda, Finlândia e Noruega.

Os dados para a organização do ranking 2012 foram coletados entre 2009 a 2011 por meio de testes realizados com 1,7 milhão de adultos. As informações do levantamento anterior, de 2011, são referentes ao período 2007-2009.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Atualidades - ENEM - "Primavera Árabe"

Por Clayton Ribeiro

Parte I

O mundo árabe é a bola da vez em termos de questões de atualidade. Por vários motivos, o Ocidente assiste com atenção o que acontece nessa parte do planeta. Com uma população de mais de 1 bilhão de pessoas, os povos de língua árabe se caracterizam por compartilharem de uma forte cultura religiosa, chamada Islã, e por terem uma tendência antiocidental que, às vezes, explode em ações violentas e radicais (terrorismo). Isso porque os árabes se apegam a uma forma de organização social patriarcalista e autoritária, em que não há espaço para, por exemplo, os direitos da mulher ou das minorias. Assim, o clima de liberdade em alguns países ocidentais ameaça solapar a sociedade tradicional dos árabes.

De modo inesperado, a partir de 2010, milhares de árabes na Tunísia começaram a clamar por mais abertura de seu sistema político, dominado por um ditador mão-de-ferro durante décadas. Como reação, o governo da Tunísia ordenou o uso da força contra os manisfestantes do movimento que ficou conhecido como "Primavera Árabe". Centenas de jovens foram assassinados. Entretanto, isso só piorou a situação política nesse país. Por fim, o governo sofreu um colapso e foi derrubado.


Primavera, "estação da renovação". Imagem: essaseoutras.xpg.com.br

Em seguida, manifestações semelhantes eclodiram no Egito e na Líbia, alastrando-se como ondas pelo mundo árabe. Muitos dos países do Oriente Médio e da África do Norte ficaram de prontidão, em situação de alerta máximo. Nesse momento, o movimento passou dos milhares para os milhões.

Quem são esses descontentes?

São em sua grande maioria, jovens fora do mercado de trabalho - sem chances de conseguir emprego - que colocam a culpa pela estagnação social e econômica de seus países no regimes tradicionalmente autoritários que os comandam.

Esse movimento pode trazer maior liberdade para as mulheres ou para as minorias?

Em um primeiro momento, talvez não. Porém, com a abertura dos sistemas políticos árabes, ainda que parcialmente, pode gerar a pressão por mais direitos e liberdades, mesmo sem a instalação de uma democracia de fato. Esse fenômeno, para ser mais duradouro deve vir acompanhado da criação de uma classe média mais independente de governos autoritários e arcaicos. Esse é o grande desafio em economias atrasadas e sem mercado interno. Lembrem-se, a Primavera Árabe começou na TUNÍSIA, um país árabe-muçulmano. Um abraço.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Mais uma redação nota 1.000 no ENEM

Fonte: veja.abril.com.br

Comentários dos professores Tiago Fernandes, do CPV Vestibulares, e Eclícia Pereira, do Cursinho da Poli, ambos de São Paulo.

Redação sem título de autoria de Alline Rodrigues da Silva (Uberaba-MG)

A crescente popularização do uso da internet em grande parte do globo terrestre é uma das principais características do século XXI. Tal popularização apresenta grande relevância e gera impactos sociais, políticos e econômicos na sociedade atual.

Nesta INTRODUÇÃO, a estudante opta por iniciar tratando do fenômeno da internet, deixando de fora a questão público/privado. Assim mesmo, ela deixa claro que entendeu a proposta, ao abordar o assunto logo no início do parágrafo seguinte. O emprego da expressão "tal popularização" garante a ligação entre as ideias, o que é essencial para a coesão do texto.

Um importante questionamento em relação a esse expressivo uso da internet é o fato de existir uma linha tênue entre o público e privado nas redes sociais. Estas, constantemente são utilizadas para propagar ideias, divulgar o talento de pessoas até então anônimas, manter e criar vínculos afetivos, mas, em contrapartida também podem expor indivíduos mais do que o necessário, em alguns casos agredindo a sua privacidade.

Ao escolher expressões como "uma linha tênue", "propagar ideias" e "vínculos afetivos", a autora expressa visão crítica sobre o assunto. Problemas de pontuação: uso errado de vírgulas nos trechos "Estas, constantemente são..." (seperando sujeito e verbo) e "... mas, em contrapartida também" (falta o sinal após "contrapartida"). Apesar disso, os erros não comprometem a clareza do raciocínio.

Recentemente , ocorreram dois fatos que exemplificam ambas as situações. A “Primavera Árabe”, nome dado a uma série de revoluções ocorridas em países árabes, teve as redes sociais como importante meio de disseminação de ideias revolucionárias e conscientização desses povos dos problemas políticos, sociais e econômicos que assolam esses países. Neste caso, a internet agiu e continua agindo de forma benéfica, derrubando governos autoritários e pressionando melhorias sociais.

O argumento tem estreita relação com a tese defendida e revela um raciocínio lógico da aluna.

Em outro caso, bastante divulgado também na mídia, a internet serviu como instrumento de violação da privacidade. Fotos íntimas da atriz hollywoodiana Scarlett Johansson foram acessadas por um hacker através de seu celular e divulgadas pela internet para o mundo inteiro, causando um enorme constrangimento para a atriz.

Os argumentos são precisos e evidenciam o caráter analítico do texto. Os exemplos escolhidos cumprem o papel de fundamentar as críticas e validar a proposta futura de que há necessidade de conscientização em relação às informações postadas nas redes.

Analisando situações semelhantes às citadas anteriormente, conclui-se que é necessário que haja uma conscientização por parte dos internautas de que aquilo que for uma utilidade pública ou algo que não agrida ou exponha um indivíduo pode e deve ser divulgado. Já o que for privado e extremamente pessoal deve ser preservado e distanciado do mundo virtual , que compartilha informações para um grande número de pessoas em um curto intervalo de tempo. Dessa forma, situações realmente desagradáveis no incrível universo da internet serão evitadas.

Nesta CONCLUSÃO, o mérito da solução não está na inovação absoluta da proposta, mas na articulação clara e coerente com a tese defendida pela candidata desde o início do texto, além do reconhecimento de que o meio virtual é "incrível", ou seja, não representa um mal por si só.

domingo, 21 de outubro de 2012

Redações nota 1.000 no Enem comentadas por professores

Fonte: Veja.abril.com.br

Vejam abaixo a redação nota 1.000 da estudante Camila P. Zucconi, de Viçosa-MG, comentada pelos professores Tiago Fernandes, do CPV Vestibulares, e Eclícia Pereira, do Cursinho da Poli. Os professores ressaltam os pontos positivos da dissertação. Mas mostram também pequenos deslizes da candidata.

"Redes sociais: o uso exige cautela"

(É um ótimo TÍTULO e já indica a posição da candidata sobre o tema.)

Uma característica inerente às sociedades humanas é sempre buscar novas maneiras de se comunicar: cartas, telegramas e telefonemas são apenas alguns dos vários exemplos de meios comunicativos que o homem desenvolveu com base nessa perspectiva. E, atualmente, o mais recente e talvez o mais fascinante desses meios são as redes virtuais, consagradas pelo uso, que se tornam cada vez mais comuns.

A contextualização desta INTRODUÇÃO é muito boa. A candidata acerta ao citar a evolução sofrida pelos meios de comunicação.

Orkut, Twiter e Facebook são alguns exemplos das redes sociais (virtuais) mais acessadas do mundo e, convenhamos, a popularidade das mesmas se tornou tamanha que não ter uma página nessas redes é praticamente como não estar integrado ao atual mundo globalizado. Através desse novo meio as pessoas fazem amizades pelo mundo inteiro, compartilham ideias e opiniões, organizam movimentos, como os que derrubaram governos autoritários no mundo árabe e, literalmente, se mostram para a sociedade. Nesse momento é que nos convém cautela e reflexão para saber até que ponto se expor nas redes sociais representa uma vantagem.

A autora do texto entendeu satisfatoriamente a proposta. Ao desenvolver sua ideia, mostra um conhecimento de mundo amplo, citando amizades, informações disseminadas e movimento políticos. Cabe destacar um ponto negativo na passagem: o uso do termo "convenhamos", típico da língua falada e que deve ser evitado em textos mais formais.

Não saber os limites da nossa exposição nas redes virtuais pode nos custar caro e colocar em risco a integridade da nossa imagem perante a sociedade. Afinal, a partir do momento em que colocamos informações na rede, foge do nosso controle a consciência das dimensões de até onde elas podem chegar. Sendo assim, apresentar informações pessoais em tais redes pode nos tornar um tanto quanto vulneráveis moralmente.

A primeira frase é bastante adequada. A partir dela, são discutidos prejuízos à integridade do indivíduo em razão do mau uso das redes sociais.

Percebemos, portanto, que o novo fenômeno das redes sociais se revela como uma eficiente e inovadora ferramenta de comunicação da sociedade, mas que traz seus riscos e revela sua faceta perversa àqueles que não bem distinguem os limites entre as esferas públicas e privadas “jogando” na rede informações que podem prejudicar sua própria reputação e se tornar objeto para denegrir a imagem de outros, o que, sem dúvidas, é um grande problema.

O parágrafo relaciona as duas ideias desenvolvidas anteriormente, o que é positivo. Há, contudo, um reparo a ser feito: a utilização de um único e longo período. Essa construção deve ser evitada, pois dá margem a erros e dificulta a leitura.

Dado isso, é essencial que nessa nova era do mundo virtual, os usuários da rede tenham plena consciência de que tornar pública determinadas informações requer cuidado e, acima de tudo, bom senso, para que nem a própria imagem, nem a do próximo possa ser prejudicada. Isso poderia ser feito pelos próprios governos de cada país, e pelas próprias comunidades virtuais através das redes sociais, afinal, se essas revelaram sua eficiência e sucesso como objeto da comunicação, serão, certamente, o melhor meio para alertar os usuários a respeito dos riscos de seu uso e os cuidados necessários para tal.

A solução sugerida nesta CONCLUSÃO é adequada porque procura combater o problema apresentado: a confusão entre público e privado. A autora faz um apelo ao bom senso, acrescentando que estado e comunidades virtuais devem cooperar no assunto. A posição satisfaz a orientação do Enem, que demanda do estudante uma proposta de intervenção específica e realizável.